{"id":1704,"date":"2021-04-07T17:30:13","date_gmt":"2021-04-07T17:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/magiadosaber.g12.br\/site\/?p=1704"},"modified":"2024-11-27T13:14:43","modified_gmt":"2024-11-27T13:14:43","slug":"reflexoes-sobre-criancas-e-a-natureza-vamos-desemparedar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/magiadosaber.g12.br\/site\/2021\/04\/07\/reflexoes-sobre-criancas-e-a-natureza-vamos-desemparedar\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es sobre crian\u00e7as e a natureza: vamos desemparedar?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe title=\"4 Anos da Magia do Saber!\" width=\"1060\" height=\"596\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k3x6AQo9rDw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso desemparedar a Educa\u00e7\u00e3o Infantil\u201d. Voc\u00ea j\u00e1 ouviu essa frase? Embora desconhe\u00e7a a a origem do verbo \u201cdesemparedar\u201d, o significado \u00e9 muito f\u00e1cil de ser entendido: a frase fala da necessidade de tirarmos as crian\u00e7as de dentro das salas f\u00edsicas e dar-lhes mais oportunidades de explorar os ambientes externos e viver experi\u00eancias com a natureza.<\/p>\n<p>Tenho acompanhado colegas ao longo do tempo discutindo quest\u00f5es associadas a import\u00e2ncia de \u201caproximar as crian\u00e7as da natureza\u201d. \u00c0s vezes, parece que precisamos aproveitar a natureza para algumas viv\u00eancias das crian\u00e7as, como se existisse a natureza de um lado e a vida cotidiana (emparedada) do outro. Gostaria que part\u00edssemos de outro ponto de vista, no qual pens\u00e1ssemos que\u00a0pertencemos a esta natureza e ela \u00e9 parte integrante do nosso ser.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, me parece que as crian\u00e7as sabem disso melhor do que n\u00f3s. Pergunte para uma delas qual seu lugar preferido na escola e tenho quase certeza que ela vai dizer: \u201co parque\u201d, \u201co bosque\u201d, \u201ca pra\u00e7a\u201d\u2026 Quase todas v\u00e3o citar um lugar a escola onde h\u00e1 \u00e1rvores, areia, bichinhos, oportunidades de brincar e sentir o vento no rosto ou terra entre os dedos do p\u00e9.<\/p>\n<p>N\u00f3s somos seres org\u00e2nicos e temos um modo de vida cotidiana que, por vezes, parece nos distanciar dessa ideia t\u00e3o \u00f3bvia! Quando vamos ao supermercado e encontramos vegetais, frutas e verduras j\u00e1 crescidos, quase prontos para o consumo, esquecemos da sua origem e do processo complexo que aquele alimento passou at\u00e9 chegar \u00e0quela prateleira. N\u00e3o digo aqui dos aspectos comerciais, mas org\u00e2nicos que parecem quase sobrenaturais aos olhos das crian\u00e7as ao observar o nascimento de uma planta vinda de uma semente ou do cheiro que \u201cmagicamente\u201d sai das flores e das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>No meu tempo de menino, morava num bairro que ficava pr\u00f3ximo a uma regi\u00e3o onde haviam eucaliptos. Me lembro claramente de comentar com minha irm\u00e3, toda vez que passamos pr\u00f3ximos daquela regi\u00e3o, que aquelas eram \u00e1rvores com cheiro de desinfetante. De certa forma, sinto que naturalizei aquele cheiro por conta de um produto totalmente artificial, quando na verdade, morando t\u00e3o perto daquele espa\u00e7o, eu poderia ter primeiro associado ao desinfetante o cheiro daquelas \u00e1rvores numa l\u00f3gica inversa por conta das minhas experi\u00eancias.\u00a0 Dito de outra forma, o desinfetante tinha o cheiro das \u00e1rvores e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Esta hist\u00f3ria serve para ilustrar um pouco da necessidade de desemparedar as inf\u00e2ncias e, pensando no contexto de longo isolamento social e das novas demandas que vem surgindo, acredito que esta seja uma discuss\u00e3o muito pertinente ao momento que estamos passando. Podemos unir essas necessidades \u00e0s demandas de desemparedar as nossas pr\u00e1ticas com as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de hoje a nossa necessidade de nos fazer enxergar como seres integrantes \u00e0 natureza e de nossas escolhas com rela\u00e7\u00e3o a como cuidar do meio ambiente nos afeta. Aos poucos, estamos estabelecendo h\u00e1bitos que precisam ser revistos se quisermos cuidar do nosso futuro no planeta. Como diz L\u00e9a Tiriba,\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/docman\/dezembro-2010-%20pdf\/7161-2-9-artigo-mec-criancas-natureza-lea-tiriba\/file\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nesse artigo sobre Crian\u00e7as e Natureza<\/a>, \u201cse quisermos barrar o processo de destrui\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em curso, precisaremos transformar profundamente nossa maneira de pensar e de sentir, de viver e de educar. Buscando sentidos para este desafio, diante dos meninos e das meninas que recebemos diariamente em creches e pr\u00e9-escolas, perguntamos: quais s\u00e3o os nossos sonhos de educadores? Que exemplos oferecemos \u00e0s crian\u00e7as de hoje? Que heran\u00e7a \u2013 \u00e9tica, est\u00e9tica, cultural, ambiental \u2013 deixaremos para os que vir\u00e3o depois de n\u00f3s?\u201d.<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica, como tudo isso nos afeta?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiramente, gostaria de pensar contigo sobre as escolhas que fazemos sobre os espa\u00e7os que\u00a0 as crian\u00e7as frequentam. Quanto tempo sua crian\u00e7a fica dentro de lugares fechados? Pense no tempo de sala, roda, alimenta\u00e7\u00e3o, sono e outros presentes na rotina. Esta talvez seja um dos primeiros movimentos a serem pensados para esse momento de pandemia.<\/p>\n<p>Devidos aos protocolos sanit\u00e1rios, ainda que estivermos todos vacinados, por um tempo, ainda precisaremos nos manter ao m\u00e1ximo em locais arejados e abertos para garantir os protocolos sanit\u00e1rios. Vejam, colegas, n\u00e3o seria essa mais uma oportunidade de desemparedar nossas pr\u00e1ticas?<\/p>\n<p>A pandemia nos colocou muitos desafios que podem ser vistos como uma oportunidade de superar pr\u00e1ticas. N\u00e3o nego aqui que h\u00e1 muitas dificuldades envolvidas, como limita\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o f\u00edsico e necessidade de forma\u00e7\u00e3o, mas esse \u00e9 o momento de conversarmos com dire\u00e7\u00e3o, coordena\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gicas, corpo docentes e funcion\u00e1rios para nos organizarmos e recebermos as crian\u00e7as com outra perspectiva, que poder\u00e1 ser essencial \u00e0s nossas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos espa\u00e7os, outro ponto importante a ser pensado s\u00e3o os materiais que fazemos uso no dia a dia com as crian\u00e7as. A meu ver, um exemplo cl\u00e1ssico disso \u00e9 o uso excessivo de E.V.A., pl\u00e1stico e outros tantos materiais que parecem mais afastar a ideia de vida e natureza. Qual a rela\u00e7\u00e3o que podemos estabelecer entre as folhas das \u00e1rvores, galhos, sementes, flores, terra, \u00e1gua e tantos outros? S\u00e3o elementos que nos remetem \u00e0 vida quando pensamos em sua origem. J\u00e1 o pl\u00e1stico e o E.V.A., por exemplo, oriundos de compostos vindos do petr\u00f3leo, tem lenta decomposi\u00e7\u00e3o e nos remetem ao que j\u00e1 n\u00e3o tem vida h\u00e1 muito tempo. Qual a rela\u00e7\u00e3o que estabelecemos ao utilizar esses tipos de materiais nas brincadeiras com as crian\u00e7as?<\/p>\n<p>Brincar de comidinha, no parque, utilizando barro, galhos e folhas pode parecer muito mais interessante que outros recursos. N\u00e3o digo aqui que iremos privar as nossas crian\u00e7as da escola p\u00fablica destes materiais ou brinquedos, mas podemos dar prefer\u00eancia para as viv\u00eancias com o ar livre e imagina\u00e7\u00e3o, em que os talheres da brincadeira de comidinha s\u00e3o galhos, as panelinhas s\u00e3o buracos feitos no ch\u00e3o e as folhas viram tempero da comidinha. Teremos ganhos muito mais significativos em rela\u00e7\u00e3o, por exemplo, \u00e0 criatividade e desenvolvimento da comunica\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-left\">Outra pr\u00e1tica que precisamos refletir sobre \u00e9 quando pensamos \u201ctrabalhar o meio ambiente\u201d construindo brinquedos de sucata. Pensamos em construir carrinhos, brinquedos e bonecas com garras PET, potinhos de sorvete ou outros produtos que normalmente s\u00e3o do que? Pl\u00e1stico! N\u00e3o seria mais interessante pensarmos uma vida mais sustent\u00e1vel, consumindo menos produtos engarrafados em PET e troc\u00e1-los, por exemplo, por mais sucos com frutas? S\u00e3o atitudes simples que podem estar mais de acordo com a ideia de que somos parte da natureza e de que ela faz parte de n\u00f3s. Sabemos que h\u00e1 um \u201cnovo normal\u201d. Que esse novo seja mais preenchido com essas reflex\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o novas assim\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/20165\/desemparedando-a-educacao-infantil-reflexoes-sobre-criancas-e-a-natureza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201c\u00c9 preciso desemparedar a Educa\u00e7\u00e3o Infantil\u201d. Voc\u00ea j\u00e1 ouviu essa frase? 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